domingo, 3 de agosto de 2014

Não me faça de boba

Quando eu tinha 16 anos, me sentia uma garota sonhadora, com pensamentos mágicos, que achava que tudo conspirava contra mim. (Acho que não mudei muito...rsrs).
Foi nessa época que eu comecei a namorar o garoto dos meus sonhos, lindo, perfeito e que eu acreditava que me faria muito feliz. Bom... pelo menos foi o que achei quando o conheci. Mas, minha ilusão durou até meu príncipe se transformar em um sapo, voltando para seu brejo em um pulo. E foi exatamente o que aconteceu.
Começamos a namorar no dia dos namorados. Simplesmente lindo! Ele me encantou com um enorme buquê de rosas vermelhas, que recebi em meu portão, seguido por um pedido de namoro e um beijo longo e apaixonante. Seu cabelo liso, seus olhos castanhos, sua jaqueta de couro, tudo estava perfeito! Combinamos de nos encontrar no sábado; o que me deixou contando as horas, minutos e segundos dos longos dias que se passaram. Suspirei, apaixonadamente a semana inteira, até chegar o final de semana e ele me deixar plantada como uma tremenda idiota. Duas horas depois do combinado ele chegou cheio de desculpas esfarrapadas que eu (trouxa) fui logo aceitando-as, afinal, eu mal o conhecia, estava caidinha na sua e não podia deixá-lo escapar.
Porém, as coisas foram só piorando. Ele nunca chegava em minha casa no horário combinado e muitas vezes, passava correndo para avisar que iria resolver um assunto rápido, mas que logo voltaria (o que nunca era verdade).
Eu já me sentia incomodada por ser descartada daquela maneira. Aquilo me aborrecia ao extremo, ao ponto de dizer altos palavrões.
Até que um dia, eu fui com ele em sua casa e ficamos na sala assistindo TV. Uma tarde fria de domingo, não nos dava ânimo nenhum para irmos a qualquer lugar. Foi quando o amigo dele chegou e ficamos todos assistindo Domingão do Faustão. Tudo ia muito bem, até ele começar a querer se aparecer para o seu amigo. Começou a me humilhar e a tirar um barato, apontando meus defeitos, falando da minha perna torta e meu nariz torto. Tudo bem que eu realmente tenho a perna torta e o nariz torto, mas esperar que seu namorado zombe de você, exagerando seus defeitos só para se mostrar o "perfeitão" na frente do seu amigo, para mim foi demais.
Percebi que o amigo não concordava com ele e já não ria mais de suas piadas idiotas, quando viu uma lágrima escorrer de meus olhos. Eu já não aguentava mais. Com a respiração ofegante e as mãos trêmulas, levantei-me e simplesmente fui para casa a pé. Claro que ele me alcançou no seu poderoso opala marrom. Naquele momento, eu já não chorava mais. Sentia apenas raiva. Muita raiva. Nunca tinha sido tão humilhada em toda a minha vida, muito menos por um idiota de um garoto que se achava o bam-bam-bam.
Então, depois de muita insistência entrei no carro, bati a porta e cruzei os braços. Logo vi que ele sentiu que tinha ganhado mais uma, quando estampou um sorriso satisfeito em seu rosto.
Só não esperava que duraria muito.
Assim que chegamos em minha casa, eu disse que estava tudo acabado entre nós. Não sou garota para ser segundo plano, nem ser humilhada como ele pensava que eu era. Simplesmente abri a porta e disse para ele ficar com os amigos dele, já que temos que colocar as prioridades em nossas vidas antes de tudo. Foi quando vi o amigo dele no banco de trás ( tive vontade de rir, afinal o feitiço virou contra o feiticeiro - é piegas mas é real rsrs). Juro que não o havia visto ali. Mas, era tarde demais para voltar atrás.
Não dei nenhuma chance dele pedir desculpas, ou dizer qualquer bobagem que me convencesse que valeria a pena ficarmos juntos. Principalmente, por que agora quem tinha a palavra era eu.
Não consegui olhar para ele, nem mesmo quando fechei o portão. Da janela da sala,  ainda espiei seu carro parado em frente a minha casa, mesmo depois de ter apagado a luz da garagem. Pela demora de sua partida, acho que ficou em choque por uns longos vinte minutos e dessa vez, nem o consolo do seu amigo foi forte o suficiente para motivá-lo a rir de mim.